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Raça Santa Gertrudis encanta Sergipe em festival gastronômico inédito

Mais de 100 pessoas participaram do primeiro Festival de Carne Santa Gertrudis em Sergipe, realizado na Churrascaria Fuego, em Aracaju. O evento reuniu criadores, apreciadores de carne de qualidade, especialistas em churrasco e formadores de opinião em uma noite de experiências sensoriais e networking em torno da carne da raça Santa Gertrudis, reconhecida pelo marmoreio, maciez e sabor superior.

O encontro foi promovido pela Fazenda Mangabeira, em parceria com a churrascaria anfitriã, e contou com cortes premium da marca produzida pela Reserva União do Brasil, da Fazenda União do Brasil, localizada no interior de São Paulo.

“O objetivo foi apresentar a carne da raça Santa Gertrudis ao público sergipano. Fizemos o primeiro festival e o resultado foi excelente: todo mundo aprovou a qualidade da carne, a repercussão foi muito positiva e já temos demanda para comercializar a marca na região. Esse evento é um “case” que pode — e deve — se repetir em outros estados”, destaca Gustavo Barretto, criador, diretor da Associação Brasileira Santa Gertrudis (ABSG) e um dos organizadores do evento.

A Churrascaria Fuego, que atua desde 2018 na capital sergipana, já vinha acompanhando o trabalho de seleção e produção da Fazenda Mangabeira há mais de dez anos.  Segundo Jorge Costa, proprietário da casa, a carne do Santa Gertrudis surpreende até os paladares mais exigentes.

 “Nossa casa tem tradição em churrasco e há tempos buscávamos oferecer esse tipo de carne aos nossos clientes. Quando as carnes da Fazenda União do Brasil chegaram até nós, entendemos que era o momento certo. Servimos cortes como bombom da alcatra, chorizo, maminha e short rib, todos harmonizados com vinho. O resultado foi surpreendente — os clientes ficaram encantados com o sabor, o marmoreio e a suculência. Agora querem mais”, ressaltou o empresário.

Além da experiência gastronômica, o evento contou com a exposição de uma réplica em tamanho real do touro Justus — símbolo da raça Santa Gertrudis — e a distribuição de camisas personalizadas para os convidados. A noite também marcou a apresentação da raça para novos públicos do Nordeste.

“A qualidade da carne do Santa Gertrudis é inquestionável. O festival mostrou, na prática, o que defendemos como associação: uma raça rústica, eficiente em cruzamentos industriais e com excelente desempenho de norte a sul do país”, afirmou Antônio Roberto, presidente da ABSG. “Queremos fortalecer essa conexão com o consumidor final e ampliar o reconhecimento da raça no Brasil.”

Diante da repercussão, os organizadores já planejam uma segunda edição do festival para o segundo semestre, com a expectativa de ampliar o público e expandir a distribuição da carne Santa Gertrudis em Sergipe.


Sobre a pecuária em Sergipe


A pecuária é uma atividade estratégica para o agronegócio sergipano, com destaque para a bovinocultura de corte e leite. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE (2023), Sergipe possui um rebanho bovino de aproximadamente 1,1 milhão de cabeças, com concentração nas regiões do Alto Sertão, Centro-Sul e Agreste e de acordo com o Banco do Nordeste (BNB) registrou um crescimento de 35,2% na produção de carne bovina, passando de 15,9 mil para 21,5 mil toneladas.

A produção de carne bovina sergipana abastece principalmente o mercado interno, mas nos últimos anos o Estado tem investido em melhoramento genético, alimentação estratégica e gestão de pastagens, ampliando a produtividade e a qualidade da carne. De acordo com a EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Sergipe apresenta potencial para a inserção de raças especializadas em qualidade de carne, como o Santa Gertrudis, sobretudo em sistemas integrados e de cruzamento industrial.

Lugar de “boi de boiada” é no gancho e não na vacada!

Na pecuária brasileira, a crescente adoção de tecnologias como a inseminação artificial por tempo fixo (IATF) e a utilização de touros participantes em programas de melhoramento genético tem gerado avanços significativos na produção de carne bovina, tanto para os pecuaristas quanto para toda a cadeia.

Dados publicados pela ASBIA e IBGE mostraram que, apenas 45% do rebanho de matrizes brasileiro é emprenhado utilizando essas ferramentas, sendo cerca de 22% (14 milhões de matrizes) utilizando a prática de inseminação e 23% (17 milhões de matrizes) a utilização de touros provados nos programas de melhoramento genético das raças. Com isso, cerca de 55% das vacas e novilhas brasileiras (aproximadamente 35 milhões de matrizes) são emprenhadas com os “bois de boiadas”.

De acordo com dados dos programas de melhoramento genético da Embrapa, a utilização de touros participantes dos programas permite aumentar em até 20% o ganho de peso dos animais. Isso é alcançado pela seleção de características como maior eficiência alimentar e maior rendimento de carcaça. Com isso, os pecuaristas conseguem obter animais que atingem o peso de abate em um menor espaço de tempo, resultando em uma redução dos custos de produção e aumento da lucratividade. Desse modo, se considerarmos que o Brasil produziu 8,91 milhões de toneladas de carne em 2023, de acordo com os dados acima, deixamos de produzir quase 1 milhão de toneladas por causa da utilização desses “bois de boiadas” em nossas estações de monta.

Um único touro de alta qualidade genética pode ser responsável pela inseminação de até 500 vacas em um ano (Associação Brasileira de Inseminação Artificial – ASBIA). Isso não só maximiza o retorno sobre o investimento no touro, mas também melhora a uniformidade do rebanho, permitindo que todos os animais apresentem características desejáveis como precocidade e qualidade da carne, podendo aumentar a rentabilidade para a casa dos 30%, devido à melhora na qualidade dos animais e à redução de custos com a manutenção de um grande número de touros.

Dada a pluralidade dos modelos de produção do setor no Brasil, onde a IATF não consegue se fazer presente, seja qual for o motivo, falta de estrutura, mão de obra etc. a utilização de touros participantes de programas de melhoramento genético é uma solução amplamente indicada e acessível, pois oferece uma série de vantagens que tornam o negócio mais eficiente e lucrativo.

De acordo com Ziza, criador de Santa Gertrudis da Agropecuária LUCAM, “Os touros se pagam no primeiro ano de produção, e a conta é simples: Um touro Santa Gertrudis produz em média 40 bezerros, cuja desmama pesa, em média, 240 kg, podendo alcançar 40 kg a 50 kg a mais que a média do bezerro comercial. Se multiplicarmos esse extra pelo preço do kg/vivo do bezerro (R$ 10,00), daria R$ 400 a mais por bezerro. Se multiplicarmos por 40 (quantidade produzida), daria R$ 16 mil, que é o preço do touro.” Quando consideramos que o tempo médio de vida produtiva de um touro é de 6 anos, sendo 4 produzindo, um touro testado traria um retorno pelo menos 4 vezes maior que o valor investido.

Olhando todos esses dados, não vemos motivos para a continuação da utilização de “boi de boiada” para a reprodução. O setor pecuário e todos os demais setores envolvidos com a pecuária perdem por ter que alimentar um animal que não entrega um resultado de acordo com as exigências e objetivos do mercado: um boi pesado, precoce, com acabamento de carcaça e que seja lucrativo para todos, desde a etapa de cria até o frigorífico.

*Artur Afonso – Pecuarista e diretor de marketing da Associação Brasileira de Criadores de Santa Gertrudis.

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