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Santa Gertrudis expande território e se firma no coração da pecuária brasileira

Expansão da raça avança com novo projeto de criação P.O no Mato Grosso em parceria com gigante da agricultura e consolida presença nos estados do Centro-Oeste

A raça Santa Gertrudis acaba de firmar território em todo o Centro-Oeste brasileiro com criatórios de gado P.O., marcando mais um passo importante na sua expansão nacional. O avanço chega com um novo projeto de criação de gado Puro desenvolvido no Mato Grosso, com um projeto de parceria entre um novo e um tradicional criador.    

Com o novo associado em Mato Grosso, a ABSG (associação brasileira de Santa Gertrudis) passa oficialmente a ter criadores em todos os estados do Centro-Oeste, uma região estratégica para a pecuária de corte, onde a raça tem se destacado em projetos de cruzamento, pela adaptação, rusticidade e alta eficiência produtiva o que tem resultado no aumento da demanda por sêmen e touros no estado. 

“É motivo de grande satisfação ver o Santa Gertrudis consolidando sua presença em uma das regiões mais importantes do país. O Centro-Oeste é o coração da pecuária brasileira, e essa expansão mostra a força da genética e a confiança dos produtores no nosso trabalho”, destaca Gustavo Baretto da Fazenda Mangabeira e vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Santa Gertrudis (ABSG). 

O projeto é fruto da sociedade entre o Grupo Biancon, referência em produção de grãos no estado, e a  Fazenda Mangabeira, de Sergipe, que possui 47 anos de criação e seleção na raça. O Mangueira-Biancon está sendo implantado no município de Itaúba, próximo a Sinop (MT), onde já foram transferidos 120 embriões e há meta de chegar a até 600 transferências ainda este ano. A parceria tem como foco o desenvolvimento de um rebanho puro, com uso intensivo de FIV e genética avaliada, além de provas de desempenho e participação em programas como o Geneplus. 

De acordo com Ivan Biancon, diretor do Grupo Biancon, o interesse pela raça surgiu pela combinação entre desempenho e adaptabilidade. “A Mangabeira tem uma tradição no trabalho genético com a raça e essa parceria veio quando vimos no Santa Gertrudis um animal rústico, de ótimo ganho de peso e excelente qualidade de carne. A raça tem obtido resultados muito acima do esperado: animais com dieta para ganhar 1,1 kg por dia estão ganhando 1,7 kg, comendo menos e entregando mais”, explica.

Atuando há 30 anos no Mato Grosso e com forte tradição agrícola, o Grupo Biancon iniciou sua expansão na pecuária em 2018 e hoje mantém um projeto de ciclo completo (cria, recria e engorda) em uma área de 4 mil hectares. Com a parceria, o grupo pretende chegar a 2.000 vacas inseminadas com Santa Gertrudis em 2026, além de planejar o primeiro leilão conjunto dentro de três anos. 

A expansão da raça acompanha um momento positivo para o Santa Gertrudis em nível nacional. Neste ano, houve crescimento no número de touros da raça em centrais de inseminação, reflexo direto da valorização de suas características zootécnicas e da demanda crescente por genética adaptada e produtiva. 

“O projeto Mangabeira-Biancon reforça a visão de que o Santa Gertrudis é uma raça pronta para entregar desempenho, qualidade e eficiência nas mais diversas condições de produção do Brasil”, conclui Gustavo. 

O fortalecimento da raça segue também com a realização do 4º Leilão Fazenda Mangabeira, que acontece no dia 4 de dezembro, com oferta de machos e fêmeas Santa Gertrudis de alta qualidade genética, em parceria com a Agreste Leilões e a Central Leilões.

Rusticidade do Santa Gertrudis ganha força frente ao carrapato no RS

Estudo da SEAPI/DDPA mostra perdas de até 4 kg em novilhas no Rio Grande do Sul; rusticidade e resistência da raça são destaque na Expointer 2025.

A infestação de carrapatos bovinos segue como um dos maiores entraves da pecuária no Rio Grande do Sul e a raça Santa Gertrudis pode ser uma forte aliada nesse combate. Em estudo recente realizado na região da Campanha, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI/DDPA) constatou que um único parasita pode reduzir até 1,6 g/dia no ganho de peso de novilhas, acumulando perdas de até 4 kg em apenas 10 dias nos períodos de maior infestação.

Nesse cenário, a Associação Brasileira de Criadores de Santa Gertrudis (ABSG) observa uma procura crescente pela raça no Sul do país. Com pelo curto, rusticidade e resistência natural a parasitas, o Santa tem se consolidado como alternativa eficiente no cruzamento com taurinos europeus, predominantes no estado, reduzindo os impactos sanitários e facilitando o manejo.

A 48ª Expointer, que inicia na próxima semana, será a vitrine dessa valorização. “A cada safra temos observado mais produtores buscando o Santa Gertrudis para o cruzamento industrial. A rusticidade, a fertilidade e a capacidade de adaptação fazem diferença num cenário de mudanças climáticas e desafios sanitários. É um animal que agrega produtividade e qualidade de carne”, afirma Anderson Fernandes, presidente do Conselho Técnico da raça.

Para José Arnaldo Amstalden, superintendente técnico da ABSG, que acompanha há mais de 50 anos a evolução da raça no Brasil, o diferencial está na consistência da seleção. “O Santa responde muito bem a campo e mantém eficiência em sistemas a pasto. É uma genética que alia desempenho produtivo e resistência, fundamental para a realidade do Sul do país”, destaca, lembrando o apoio do Programa de Melhoramento Genético (PMG), conduzido em parceria com a Embrapa Geneplus há 20 anos.

A edição deste ano da Expointer marca também a volta de criadores de Santa Gertrudis de outros estados, que não participavam desde a pandemia. Entre os destaques, estará em exposição o MR Atalla, touro Bi-Grande Campeão da Nacional 2024 e 2025. O julgamento oficial da raça será realizado no dia 31 de agosto, sob avaliação do jurado Luiz Fernando Doneux Junior.

Para o criador Ruy Barreto, da Cabanha 53 de Lagoa Vermelha/RS, participante da Expointer desde a década de 1970, o momento é de celebração. “É uma satisfação enorme ver o Santa novamente ocupando seu espaço em Esteio. É uma raça que sempre se destacou pela qualidade e que hoje ganha ainda mais relevância frente aos desafios da pecuária gaúcha e nacional”, finaliza o pecuarista.

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Santa Gertrudis
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