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1ª PAD a pasto fazenda Mangabeira - Santa Gertrudis - 2020

A fazenda Mangabeira é um tradicional criatório da raça Santa Gertrudis, selecionando essa raça a 40 anos em Japaratuba, no estado do Sergipe. Por se tratar de um criatório focado no melhoramento genético, sempre investiu em formas de aprimorar a seleção dos seus animais, desde a importação de material genético dos melhores rebanhos da raça espalhados pelo mundo como Estados Unidos, África do Sul e Austrália, até as formas mais modernas de avaliação como ultrassonografia de carcaça e testes genômicos.
 
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Nesse contexto, a aproximação com o Programa Embrapa Geneplus veio de forma natural, e a ideia de avaliar seus animais após a desmama em forma de Prova surgiu como algo inevitável para uma seleção mais eficiente e completa dos animais da fazenda. Um aspecto interessante é que a prova foi conduzida a pasto, agregando à avaliação um fator relevante que é selecionar os animais em um sistema o mais próximo possível da realidade onde essa genética será utilizada. Como a proposta do Santa Getrudis é produzir um touro que trabalhe a campo, temos na PAD Mangabeira o atendimento a esse preceito importante do melhoramento genético.
 
Na Mangabeira foram avaliados 23 machos e 33 fêmeas, todos nascidos entre julho e outubro de 2019, fechando a prova com 15 meses de idade média. Esses animais permaneceram 170 dias em avaliação, sendo que os primeiros 36 dias serviram como um período de adaptação e o período restante para avaliação do ganho de peso diário. Todos foram submetidos as mesmas condições e avaliados ao final desse período para 12 características, compondo um índice final para classificação e ranqueamento dos animais.
 
Dentre os principais quesitos avaliados na prova, além é claro do ganho de peso e peso final, podemos destacar as características de carcaça medidas por ultrassonografia, como Área de Olho de Lombo (AOL), Espessura de Gordura (EGS) e Marmoreio. Ainda, as fêmeas foram submetidas a ultrassonografia reprodutiva para avaliar o grau de desenvolvimento de útero e ovário, como medida de precocidade, bem como a população de folículos aspiráveis, variável importante ao se considerar que essas fêmeas de destaque serão multiplicadas por meio de Fertilização In Vitro.
 
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Considerando que a prova foi conduzida a pasto com suplementação, as médias de ganho de peso diário nos machos e fêmeas foram bastante satisfatórias, os machos tiveram um ganho de praticamente 1 kg/dia e as fêmeas de 0,738 kg/dia, resultando em médias de pesos finais de 341 kg e 293 kg para machos e fêmeas, respectivamente.
Para as características reprodutivas, a média de circunferência escrotal nos machos ao final da prova foi de 29,6 cm. Nas fêmeas, o desenvolvimento de útero e ovário médio foi de 5,2 pontos, em uma escala que variou de 1 a 6, onde a maior nota foi atribuída as novilhas já em fase estral. Esses valores evidenciam a precocidade sexual dos machos e fêmeas avaliados, algo muito importante para garantir a reprodução dos animais de destaque em idade ainda jovem, ponto importante para o melhoramento genético da raça.
 
Completando as características de destaque, observamos medidas de ultrassonografia de carcaça impressionantes, nos machos tivemos uma AOL padronizada para 450 kg de 84,4 cm2, com um valor máximo observado de 107,3 cm2. Além disso, a média final de EGS foi de 3,4 nos machos e 4,51 mm nas fêmeas. O marmoreio médio foi de 1,98 nos machos e 2,82 nas fêmeas, com valores máximos de 3,9 em ambos os grupos. Considerando novamente o sistema de recria a pasto, esses valores para acabamento de carcaça e marmoreio mostram que o rebanho Mangabeira tem uma genética forte para essas características, resultado do melhoramento genético que vem sendo praticado no rebanho.
 
Vale destaque também a uniformidade dos animais avaliados, além de todos os números de desempenho obtidos. Fica nítido que o trabalho realizado até aqui tem dado grandes resultados para o rebanho Santa Gertrudis da fazenda Mangabeira e nós do Programa Embrapa Geneplus ficamos honrados em fazer parte dessa história.
 
Por fim, tivemos um grande evento final na fazenda Mangabeira, que serviu para coroar essa prova que certamente foi a primeira de muitas outras que virão, sempre em busca de animais cada vez melhores, mais completos e produtivos para fomentar o melhoramento genético da raça Santa Gertrudis e agregar ainda mais valor no cruzamento industrial.