Um confinamento para operar o ano inteiro

04 SET 2019

Tradicional criador e fornecedor de touros PO da raça Santa Gertrudis em sua propriedade de 1,5 mil hectares, em Buri, SP, Antonio

Tradicional criador e fornecedor de touros PO da raça Santa Gertrudis em sua propriedade de 1,5 mil hectares, em Buri, SP, Antonio Roberto Alves Correa começou a operar em maio suas novas instalações para o confinamento de bovinos. “Há tempos eu tinha a intenção de aproveitar a matéria-prima que produzo para verticalizar as atividades dentro da pecuária de corte”, revela.


O primeiro giro envolve 1.700 cabeças identificadas no Sisbov. São animais próprios, oriundos de fazendas adquiridas em SP e MS este ano, e outros comprados de terceiros, preferencialmente com sangue da raça sintética. Para aumentar a presença desses cruzados no futuro, uma das estratégias adotadas será a de fornecer reprodutores ou sêmen de Santa Gertrudis a fazendas parceiras com a compra bonificada dos produtos na desmama ou de animais prontos para entrar no confinamento a partir de 330 kg.


Neste primeiro giro, 700 reses serão terminadas no modelo convencional, a céu aberto e com pista de alimentação coberta. Outros 1.000 animais estão alojados em área coberta, no sistema compost-barn, usado com sucesso na pecuária leiteira.


“Trata-se do primeiro projeto de confinamento voltado para gado de corte utilizando este sistema no Brasil. A meta é promover anualmente três ciclos de 100 dias de duração”, afirma o pecuarista.
O galpão coberto tem 255 metros de comprimento por 63 metros de largura e está dividido em oito baias com capacidade para 125 animais cada uma. “A instalação possui 11 ventiladores, com 6m de diâmetro cada, e iluminação programável caso seja necessária a ingestão de mais alimentos para uma terminação mais rápida”, detalha Antonio Roberto.


O piso é todo forrado com maravilha, que em contato com a urina e esterco, forma um processo de compostagem da matéria orgânica. “Este material orgânico produzido vai ser destinado aos nossos 540 hectares de lavoura de milho e soja. O objetivo será reduzir em 20% por ano a utilização de adubo químico. Em cinco anos, deveremos eliminar o adubo químico, utilizando pontualmente o potássio ou outro elemento que o composto não favoreça no solo”.


O conforto que o sistema oferece contribui para o bem-estar animal, observa Antonio Roberto Alves Correa, que também é presidente da Associação Brasileira de Santa Gertrudis. “Alojamos machos inteiros visando melhor ganho de peso e novilhas meio-sangue para atender ao mercado de carnes nobres. Estamos em negociação para o fornecimento a restaurantes de alta gastronomia e açougues especializados”, conta o produtor.