Manejo sanitário para bovinos de Corte

Dentre os diversos fatores para o sucesso na produção de gado de corte, a sanidade do rebanho é um item extremamente importante para evitar o aparecimento de doenças que possam comprometer os índices de produtividade. Esse deve ser feito através de um calendário profilático de vacinações e vermifugações. As medidas de controle devem ser realizadas em função das endemias regionais, do estado sanitário do rebanho, do perfil de sistema de produção e orientação do órgão de defesa estadual. Certas vacinas são aplicadas no rebanho todo, outras são aplicadas somente em certas categorias de animais, selecionando idade e até mesmo o sexo, como é o caso das vacinações contra o carbúnculo sintomático e a brucelose.

Febre aftosa é uma das enfermidades mais importantes para a pecuária brasileira por ser um fator limitante para as exportações de carne. A doença é causada por um vírus e extremamente contagiosa, acomete os animais fissípedes (cascos fendidos) causando feridas nos cascos e na boca, além de febre alta. A vacinação de caráter obrigatório obedece os calendários determinados pelos dos órgão de defesa estadual. Abaixo o mapa das vacinações no Brasil segundo o ministério da agricultura:

 A raiva dos herbívoros é outra doença viral é transmitida através da mordedura por morcegos hematófagos (alimentam-se de sangue). A vacinação é recomendada em áreas onde a doença ocorre, feita anualmente e deve ser associada à vacinação dos cães e eqüídeos. Em algumas regiões está prática está vinculada a vacinação da febre aftosa a critério dos órgãos de defesa estadual. Os principais tipos de vacinas utilizadas no Brasil são a inativada e atenuada, por apresentarem uma imunidade duradoura nos animas.


Tuberculose é controlada através de um programa nacional o PNCEBT (Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose) que oferece aos criadores orientações sobre prevenção e controle. Como a vacinação tem pouca eficácia o controle é feito através do teste de tuberculinização, com uso de tuberculina PPD bovina, feita na prega caudal ou no pescoço. Os animais reagentes são isolados e sacrificados pelo serviço de inspeção oficial.

DOENÇAS DA REPRODUÇÃO

Doenças da esfera reprodutiva trazem sérios danos ao pecuarista, impedindo a fecundação, causando abortos ou produzindo bezerros com peso inferior à média. As enfermidades reprodutivas podem ter origem bacteriana, virótica e parasitarias dentre elas estão:

Brucelose – causada pela bactéria Brucela abortus provoca abortos, infertilidade e retenção de placenta. O controle da doença deve ser feito através de vacinação em dose única aplicada por médico veterinário em fêmeas dos três a oito meses de idade. E marcadas com um “V” no lado esquerdo da cara, junto com o ultimo digito do ano da vacinação.

Campilobacteriose – normalmente é transmitida pelo touro contaminado na monta, causando a infertilidade temporária e morte embrionária. Os animais diagnosticados como positivos devem ser descartados do rebanho.

Tricomonose – dentre seus sintomas estão: infecções pós monta, repetição de cios, morte embrionária e abortos. A principal fonte de transmissão do parasita é o touro que pode receber tratamento que muitas vezes é descartado pelo auto custo.

IBR (rinotraqueíte infecciosa bovina) e BVD (diarréia viral bovina) – são viroses transmitidas através: coito, placentária, secreções, fetos abortados e fezes. A prevenção é feita através de vacinas polivalentes, aos três meses de idade, com reforço 30 dias e revacinação anual.

MANEJO DOS BEZERROS

O desempenho produtivo de um abate e da produção de carne e carcaça começa com os cuidados com o bezerro. Como regra geral os bezerros neonatos devem receber o colostro da mãe nas primeiras oito horas de vida. O colostro além de ser rico em proteínas, minerais, enzimas, vitaminas ter efeito antitóxico e energético, confere ao bezerro uma imunidade passiva através dos anticorpos maternos.

O umbigo do neonato é uma porta de entrada para agentes infecciosos,podendo causar infecção local ou sistêmica e miíases (bicheiras), por isso o umbigo deve ser cortado em aproximadamente 4 cm e submerso por dois minutos em solução de iodo 10% ou produto similar.

Em regiões onde ocorre o botulismo deve vacinar os animais aos quatro meses, repetindo após 40 dias e revacinação anual e contra paratifo ou samonelose com 15 a 20 dias de idade.

As clostridioses são toxi-infecções causadas por bactérias. Dentre elas a mais importante no Brasil o carbúnculo sintomático é uma doença típica de animais jovens gera grandes prejuízos, pela alta mortalidade dos bezerros. A vacinação deve ser feita nos bezerros com quatro a seis meses de vida, revacinando seis após.

CUIDADOS COM AS VACINAS

Alguns cuidados importantes devem ser tomados para a correta preservação das vacinas garantindo assim toda sua qualidade na imunização.

 

 

  • Conservar a vacina refrigerada entre 2 a 8 ºC. Não congelar
     
  • Observar a data de fabricação e prazo de validade 
     
  • Seguir atentamente a via de aplicação e dosagem
     
  • Obedecer o prazo de carência para o consumo de leite e carne
     
  • Transportar em caixa isopor com gelo, protegendo do calor e sol

    COMBATE AS VERMINOSES

    Uma das praticas mais importantes no manejo sanitário de uma produção de gado de corte trata-se dos combates aos parasitas tanto os ectoparasitas (externos) quanto os endoparasitas (internos). As parasitoses são as grandes vilãs responsáveis pela baixa produtividade da bovino cultura por prejudicarem o crescimento podendo levar o animal a morte. O controle deve ser estratégico dependendo do clima de cada região. Normalmente o combate é feito no período da seca, porem o criador deve saber que seu efeito só é notado a médio e longo prazo.

    Os endoparisitas localizam-se em diversos órgãos do animal e sugam os nutrientes debilitando e causando o emagrecimento. Para o combate dos vermes deve se usar vermífugos de largo espectro (atuam na maioria das espécies de vermes) e de longa ação, sempre que possível usando princípios ativos diferentes. 

    Um controle estratégico para os vermes deve ser realizado no período da seca em três etapas: 1ª aplicação no inicio da seca para remover os vermes que se instalaram nas chuvas. 2ª aplicação no meio da seca que elimina os vermes que sobreviveram a aplicação anterior e a 3ª aplicação no final da seca prevenindo a contaminação no período das chuvas. Ainda pode-se fazer uma 4ª aplicação durante o período das chuvas como prevenção de combate a proliferação das larvas.

    Os ectoparasitas se alimentam do sangue do bovino além de serem vetores de doenças como a Tristeza Parasitária Bovina entre outras. A mosca do chifre (Haematobia irritans),o carrapato (Boophilus microplus) e o berne (Dermatobia hominis) são os principais parasitas externos de importância no Brasil. O controle dos parasitas externos deve ser feita quando o animal está infestado com uso repelentes quimicos “pour-on”, de pulverização ou banhos de aspersão. Uma medida que esta demonstrando resultados positivos no combate a mosca do chifre é a introdução de bezerros e utilizando produtos que não os matem, pois estes destroem os bolos fecais que são verdadeiros criatórios das larvas da mosca. O estratégico do controle do carrapato deve ser iniciado no início do período das chuvas, sendo importante repetir por três vezes a aplicação do produto a cada 21 dias, que e o período que compreende o ciclo reprodutivo do carrapato.

    Tabela 1 – Esquema profilático sanitário para rebanhos de bovinos de corte
      
    * segue orientação dos órgão de defesa estaduais