Raiva

ABSG
 
A raiva é uma doença infecto-contagiosa que acomete principalmente o SNC - Sistema Nervoso Central, causando encefalomielite fatal. Pode ser transmitida aos homens, o que a classifica como zoonose, e todos os animais de sangue quente são susceptíveis. Mesmo com o avanço acelerado em vários campos da ciência, a Raiva ainda faz muitas vítimas e estimativas conservadoras indicam que a cada 10/15 minutos uma pessoa morre de raiva e, a cada hora, 1.000 pessoas recebem tratamento post-exposição no mundo.

Sua ocorrência é quase mundial, pois, atualmente, está erradica somente em algumas ilhas do pacífico, Japão, Reino Unido e Havaí. A Oceania é o único continente livre da doença.

Com o intuito de conscientizar e fortalecer a prevenção e controle da raiva, foi criado o Dia Mundial da Raiva. Acontece anualmente no dia 8 de setembro e teve início em 2007. Conta com o auxílio de organizações internacionais, nacionais e não governamentais, profissionais de saúde pública humana e veterinária, universidades, parceiros do setor privado e indústrias.

Etiologia

É transmitida pelo Vírus da Raiva, que pertence à família rhabdoviridae, gênero Lyssavirus. A partícula viral é constituída de genoma RNA, possui envelope bilipídico em forma de projétil e é pouco resistente aos agentes químicos (éter, clorofórmio, sais minerais, ácidos e álcalis fortes), aos agentes físicos (calor, luz ultravioleta) e às condições ambientais como dessecação, luminosidade e temperatura excessiva.

Transmissão

A transmissão se dá por mordeduras, arranhões ou lambeduras de animais doentes, pois, através destas, o vírus presente na saliva pode ser inoculado no hospedeiro. Ocorre replicação viral nos tecidos conjuntivo e muscular adjacentes e disseminação rápida em direção ao SNC. Após intensa replicação no SNC, o vírus segue para o sistema nervoso periférico, alcançando pulmão, coração, rim, bexiga, útero e, principalmente, glândulas salivares, sendo eliminado pela saliva.
Os maiores transmissores no meio urbano são os cães, seguidos pelos gatos. Já no meio rural, além de cães e gatos, outros animais também podem transmitir e os morcegos hematófagos são apontados como os principais. Os animais silvestres são os reservatórios naturais para animais domésticos.

O aumento da agressividade do doente aumenta as probabilidades do ataque e transmissão do vírus rábico.

O período de incubação, tempo que decorre entre o contato inicial com o vírus e a manifestação dos primeiros sintomas, é longo, podendo variar de 2 semanas a 6 meses, conforme a quantidade de vírus inoculado, a proximidade do Sistema Nervoso Central e a gravidade da lesão.

Sintomas

O vírus, a princípio, se localiza nas proximidades da lesão, podendo provocar dor local ou anestesia e inchaço. Ocorre replicação viral nos tecidos conjuntivo e muscular adjacentes e disseminação rápida em direção ao SNC.

O animal se afasta do rebanho, ficando isolado, apresenta certa apatia, perda do apetite, mugido constante, tenesmo, hiper-excitabilidade, aumento da libido, salivação abundante e viscosa, dificuldade para engolir (o que sugere que o animal esteja engasgado) e ainda pode apresentar-se de cabeça baixa e indiferente ao que se passa ao seu redor.

Com a evolução da doença, apresenta movimentos desordenados da cabeça, tremores musculares, ranger de dentes, midríase com ausência de reflexo pupilar, incoordenação motora, andar cambaleante e contrações musculares involuntárias. 
Após entrar em decúbito, não consegue mais se levantar, ocorre o aparecimento de movimentos de pedalagem dos membros anteriores e posteriores, dificuldades respiratórias, opistótono, asfixia e morte. Esta última ocorre, geralmente, entre 3 a 6 dias após o início dos sinais, podendo prolongar-se em alguns casos por até 10 dias.

Uma vez iniciados os sinais clínicos da Raiva, devemos isolar o animal e esperar pela sua morte, ou sacrificá-lo na fase agônica.

Diagnóstico

Em virtude da grande variação de sintomas entre os animais acometidos, não é possível a confirmação da doença somente pelo diagnóstico clínico. Portanto, faz-se necessário a necropsia do animal para coleta de material e envio deste a um laboratório de diagnóstico credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA e/ou pelo Ministério da Saúde, para a realização do exame. O material (cérebro) deve ser coletado por um veterinário habilitado, devidamente treinado, e enviado parte em gelo e outra parte imerso em formol a 10%.

Tratamento

Não há nenhum tratamento e a doença é invariavelmente fatal uma vez iniciados os sinais clínicos.

Somente para o ser humano existem as vacinas anti-rábicas, que são indicadas para o “tratamento”, ou seja, a profilaxia anti-rábica pós-exposição. Há também o recurso da aplicação de soro anti-rábico com uso de soro homólogo (HRIG) ou heterólogo. A imunidade passiva conferida pela imunoglobulina anti-rábica persiste por apenas 21 dias.

Vacinação

A freqüência da vacinação dos animais varia de acordo com a região, sendo semestral nos estados de vacinação obrigatória e anual nos demais. A dose estabelecida pelo MAPA é de 2 ml.

Todas as vacinas, antes de serem comercializadas, são analisadas pelo MAPA e, após sua liberação, recebem um selo de garantia (holográfico) na Central de Selagem de Vacinas, órgão administrado em parceria entre o MAPA e o SINDAN - Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal.